PARTE I (1990 / 2000 )

 

A história da banda começa por volta de 1990, quando o sueco Peter Tägtgren que tinha um projeto solo, chamado Seditious, em uma visita à Flórida, (E.U.A) presenciou o surgimento e o grande reconhecimento que o estilo Death Metal estava tendo, com bandas como Morbid Angel, Obituary, Death, etc, e muito entusiasmado, prometeu a Phil Fasciana (Malevolent Creation), que na próxima vez que retornasse aos Estados Unidos, teria uma banda de Death Metal e um contrato em mãos.

De volta a Suécia, Peter concentrou todas as suas energias em compor material para gravar e poder mostrar as gravadoras.

Com material em mãos, ele gravou sua primeira fita demo, no final de 1991. Chamava-se Rest In Pain continha três faixas, mas nunca foi enviada às gravadoras pois ele não parecia estar satisfeito com os vocais, e teria de qualquer forma, que procurar integrantes para sua banda, para poder tocar ao vivo. Com alguns telefonemas, ele conseguiu entrar em contato com o vocalista da banda Votary na época, chamado Masse Broberg.

Band 1992
Já para sua segunda Demo Tape, Peter compôs mais duas músicas, tinha Masse Broberg nos vocais e rendeu à banda um contrato com a Nuclear Blast (Cumprindo o prometido à Phil Fasciana). Era então hora de ter uma formação completa para a banda. Masse perguntou à Mikael Hedlund, baixista da banda que ambos tiveram, se ele gostaria de participar da nova banda, assim como fez Peter Tägtgren, perguntando a Lars Szoke, baterista em uma banda chamada Epitaph. Mikael concordou e Lars também, trazendo com ele o guitarrista Jonas Osterberg. Formada a banda, eles realizaram seu primeiro show em 6 de Junho de 1992.

O primeiro CD/LP lançado pela banda foi Penetralia, pela Nuclear Blast, que continha as músicas compostas nas fitas anteriores, mais seis faixas. Duas faixas ainda ficaram de fora, e Peter gravou bateria em algumas e fez vocais em outras. Boas resenhas nas principais revistas do mundo todo renderam bons shows à banda, que saiu em turnê com a banda Brutality. Para esse álbum, a banda gravou dois vídeos clipes: Left to Rot e Impotent God. Em 1993, saiu pela Relapse Records, o Mini CD Pleasure of Molestation, seguido do álbum Osculum Obscenum pela Nuclear Blast, já com a primeira mudança na formação, com a saída do guitarrista Jonas Osterberg, levando Peter a assumir a segunda guitarra no estúdio.

 

O próximo álbum, chamado Osculum Obscenum conta com um cover do Venom para a faixa Black Metal e mostra as diversas influências da banda, misturando Death Metal com Black Metal, desprendendo-se de ser apenas mais uma banda de Death Metal, que apesar de sueca, “bebia” muito da cena americana. Para este álbum, a banda gravou um vídeo clipe para a faixa Pleasure of Molestation.

O ano de 1994 marca uma mudança crucial para a banda. Masse Broberg deixa a banda, com Peter assumindo os vocais e guitarras no próximo trabalho, o EP Inferior Devoties, com Peter Tägtgren nos vocais, guitarras e teclado, Mikael Hedlund no baixo e Lars Szoke na bateria.

 

No mesmo ano a banda lança seu terceiro álbum, intitulado The Fourth Dimension, o primeiro passo rumo ao que a banda viria a seguir dali adiante, com faixas como Apocalypse e The Fourth Dimension com vocais limpos, teclados, passagens acústicas e andamentos característicos do Doom Metal, sendo criticados por muitos fãs. A banda seguiu em turnê, com a ajuda de Mattias Kamijo (Algaion), assumindo a guitarra base nos shows.

Ainda em 1994 a banda encontra tempo para iniciar um projeto paralelo, chamado The Abyss, explorando suas influências no gênero Black Metal. O primeiro álbum desse projeto foi The Other Side, gravado em 1994 no estúdio de Peter,  curiosamente chamado The Abyss e lançado em 1995.

 

 

Nele os integrantes tocam instrumentos diferentes dos que tocam no Hypocrisy: Mikael Hedlund na guitarra e nos vocais principais, Lars Szoke tocando guitarra e fazendo alguns vocais e Peter Tägtgren tocando bateria, baixo e fazendo alguns vocais também. A quarta faixa deste álbum, Massacra é um cover da lendária banda Hellhammer, do álbum Apocalyptic Raids, um E.P lançado originalmente em 1984. Curiosamente, quem fez o logotipo dessa banda (The Abyss) foi o ex-vocalista Masse Broberg, que a esta altura já estava fazendo os vocais para os também suecos Dark Funeral, sob o pseudônimo Emperor Magus Caligula.

Em 1995 a banda lança um Vinil de 7 polegadas com duas faixas inéditas até então: Carved Up e Beggining of The End.

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O ano de 1996 marca o lançamento do quarto álbum da banda pela Nuclear Blast: Abducted. Difícil até mesmo de ser rotulado, o álbum conta com faixas como Slippin Away, com influências atmosféricas, ao estilo Pink Floyd, Roswell 47, que virou faixa obrigatória nos shows da banda desde então  (um vídeo foi gravado para essa faixa), “Killing Art” e Abducted, com resquícios do Death Metal dos primeiros álbuns, a continuação para a faixa The Arrival of the Demons, entre outras.

O vocal de Peter, assim como toda a musicalidade da banda, também amadureceu, oferecendo vocais guturais, vocais rasgados e vocais limpos. As músicas estavam mais melódicas, e a temática principal do álbum eram os alienígenas e ficção científica em geral.

Isso se deve muito a saída de Masse Broberg, que era o letrista da banda nos dois primeiros álbuns. Com Peter assumindo essa função, ele resolveu abordar essa temática que tanto o fascinava. Destaca-se também a boa produção do álbum, algo difícil para a época em termos de metal extremo. Com isso, o estúdio de Peter, o The Abyss, começa a ser cada vez mais e mais requisitado, tendo ele que dividir o seu tempo entre a família, a banda Hypocrisy e a produção no seu estúdio. Curiosamente, Peter pediu ajuda ao Governo Sueco, em termos financeiros para poder construí-lo.

1997 marca um período crítico para a banda. Peter tinha que assumir todas as responsabilidades referentes ao Hypocrisy, como entrevistas, composição de músicas, letras, produção, gravação e mixagem. Somando isso ao estúdio (que vinha sendo o seu real sustento financeiro)  e a família, ele começou a anunciar nas entrevistas que vinha realizando, que o próximo álbum seria o último do Hypocrisy e que depois do lançamento e dos shows, não haveria mais banda, e ele viria a se dedicar somente aos seus outros projetos.

O segundo álbum do projeto The Abyss é lançado, sendo direcionado para uma linha de Black Metal mais rápido, como o Marduk vinha fazendo. Diferente do primeiro álbum, que oferecia um excelente trabalho de guitarra, arranjo e melodias, tendo inclusive a participação de uma vocalista para algumas passagens, esse novo álbum decepcionou muita gente que esperava uma continuação do primeiro álbum. Summon the Beast, também foi anunciado como último álbum desse projeto, tendo a banda dada como explicação, o fato de não terem como superar o trabalho deste álbum, que seria o melhor que eles puderam ter feito. Tanto este como o primeiro álbum, continham menos de 30 minutos de música. Apesar disso, analisando o álbum depois de alguns anos, é notável que eles se complementam, sendo impossível não mencionar a influência que Summon The Beast teria nos anos seguintes na cena Black Metal, basta ouvir o álbum Panzer Division Marduk, da banda Marduk, lançado em 1999 e produzido por Peter no seu estúdio em 1999. Peter também realizou algumas turnês como segundo guitarrista no Marduk, e pode ser ouvido no álbum ao vivo Live in Germania.

Mais um álbum paralelo ao Hypocrisy é lançado, dessa vez, um projeto solo de Peter, chamado PAIN. Com uma sonoridade totalmente diferente do Hypocrisy, e experimental, misturando música eletrônica, com guitarras distorcidas e vocais limpos, Peter toca todos os instrumentos (Bateria, Baixo, Guitarra, Sintetizadores e Vocais) e mostra ao público mais uma de suas influências.

Finalmente em 1997 é lançado o álbum The Final Chapter, sendo o mais bem sucedido álbum da banda até então, que tem entre as músicas, um cover da banda Razor (Evil Invaders). Excelentes resenhas por parte das principais revistas do mundo todo, e com bom suporte do selo Nuclear Blast em termos de divulgação, a banda participa dos principais festivais Europeus inclusive do prestigiado Wacken Open Air de 1998, apresentação da qual resultou o seu primeiro álbum ao vivo, chamado Hypocrisy Destroys Wacken. Esse seria o álbum que Peter anunciava lançar, juntamente com gravações raras, suas primeiros demos e versões nunca lançadas, como presente para os fãs. Na verdade o álbum continha a apresentação da banda, mais uma faixa inédita, duas versões demos de faixas até então inéditas e a faixa Beggining of The End, que tinha aparecido somente no single Carved Up. Mas aparentemente, a boa resposta do público faria a banda mudar de ideia.

Eles se reuniram, e ficou decidido que cada membro da banda iria assumir maiores responsabilidades, como composição, entrevistas, dedicação à música e ao instrumento que cada toca, e um comprometimento maior com a banda em geral. Também ficou resolvido que a banda não teria que lançar álbuns todos os anos, como vinha fazendo, e sim, fazer bons álbuns e boas turnês.

Com um intervalo de dois anos, em 1999 o trio lança seu sexto trabalho de estúdio (excluindo EP’s, Singles e o álbum ao vivo), chamado simplesmente Hypocrisy.  Apesar de ser um álbum autointitulado, o título inicial seria Clone, mas muitas banda se filmes estavam utilizando a palavra e temas parecidos.

Mais uma mudança de sonoridade marca esse álbum, dessa vez se distanciando de seus primeiros álbuns, ficando difícil até mesmo definir um rótulo. As melodias estão lá, as guitarras de sete cordas estão lá, os vocais rasgados estão lá, e os teclados também, o que ainda definem como um álbum da banda Hypocrisy com todas suas características. Fractured Millennium, é uma faixa que poderia ser facilmente colocada no Abducted ou no Final Chapter, com vocais rasgados, guitarra base pesadíssima juntamente com as guitarras melódicas. A maioria das faixas segue essa linha, mas com Peter fazendo mais variações em seus vocais, tanto limpos, rasgados, guturais, como com efeitos de estúdio. A última faixa, seguindo a tradição dos últimos álbuns, é a mais atmosférica, com guitarras limpas e vocais limpas, e letras depressivas. Porém algumas faixas como Elastic Inverted Visions fogem de qualquer semelhança com algo que a banda tenha lançado até então.

Enquanto isso, Peter lançou o segundo álbum do seu projeto PAIN, intitulado Rebirth. Anteriormente a ele haviam sido lançados dois singles, End of Line e On and On, e após o lançamento do álbum, mais um, para a música Suicide Machine. O álbum é muito bem recebido pela crítica, tendo Peter que formar uma banda completa para poder sair em turnê. Isso seria uma constante, com Peter alternando os ciclos de álbum novo do Hypocrisy e sua consequente turnê, seguindo de um álbum novo do PAIN e o ciclo de tour do PAIN, alternando isso tudo ainda com produções no estúdio The Abyss.

O ano 2000 marca o lançamento de Into the Abyss. Desta vez, a banda retorna um pouco ao seu lado Death Metal, em faixas como Legions Descend e BlindedFire in the Sky imediatamente se tornou um clássico da banda, com andamento cadenciado, bons riffs, vocais rasgados, e um quarteto de cordas no meio da música. A última música, Deathrow (No Regrets) também é mais atmosférica, com teclados em destaque, andamento cadenciado e vocais limpos, com um refrão pegajoso. Into the Abyss ficou conhecido também por ter sido composto e gravado em cerca de um mês, o que surpreende devido à qualidade das músicas e da produção.